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Sucesso não importa, o fracasso é que vale a pena – 01/05/2022 – Bia Braune

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Sucesso não importa, o fracasso é que vale a pena - 01/05/2022 - Bia Braune

Se tudo der certo, fracassarei hoje. E amanhã também, pelos dias vindouros. Digo isso sem qualquer revolta, apenas a tranquilidade loser de quem percebe a vida como um equívoco constante a ser tratado com carinho. Ou com o sangue frio de quem compra esse novo miojo sabor chocolate, mesmo sabendo que será terrível.

Sucesso, do tipo espetacular, acontece pra quase ninguém. No dia a dia, quem dá as caras é o bom e velho fracasso, incansável e incompreendido vetor de mudanças.

Condição necessária ao real aprendizado, segundo teorias modernas. E, estatisticamente, nosso maior parceiro de trabalho e relacionamentos, vide as contas que deixamos no vermelho e os amores que rolam ladeira abaixo.

Não sei você, mas sou apaixonada por reveses banais, feito uma Pollyanna animada e pessimista, colecionadora de fiascos. Aprendi a dirigir num Fiat Tipo, carro que adorava, mas que a indústria aposentou pois pegava fogo e explodia. Torço por times que perdem, mas sigo enxergando beleza no ato de insistir, sem a pressão por vitórias.

Não criei Kikos Marinhos, a promessa de monstros de estimação que resultava num Ki-Suco de água suja. Contudo, sou da geração que sobreviveu à Fanta Maçã com biscoito wafer salgado e ao boneco do Fofão, que vinha com faca e lenda urbana dentro.

Escolhas erradas, pessoas confusas, playlists de bandas com um único hit: terão sempre meu apreço.

Na Suécia há um museu dedicado a flops internacionais. Itinerante, claro, porque se tivesse sede fixa era capaz de falir. Com o slogan “inovação requer fracassos”, possui um acervo de ketchups azuis, camisinhas em spray, tacos de golfe com coletor de urina e potinhos de comida de bebê para solteiros.

Exaltemos, porém, os bons fiascos. Aqueles que selaram o destino trágico de itens excelentes, apenas impraticáveis. Como o supersônico Concorde e a novela “Mandala”, que tinha Vera Fischer como Jocasta, dando beijos campeões de audiência no filho Édipo.

A fita Betamax e o cigarrinho de chocolate, que por anos foi vício entre as crianças até alguém perceber que, opa, melhor não.

Humilde e democrático, o insucesso cria uma terna noção de pertencimento, pois nada é péssimo para todos.

Sai o malsucedido, entra o que é de nicho. Portanto, parafraseando a famosa máxima de Voltaire (que não é dele, mas de sua biógrafa, uma falha de interpretação): “Discordo de você, mas defenderei até a morte seu direito de ferver um leite e comer logo esse miojo doce, antes que suma das prateleiras”. Vulgo: “Credo, que delícia”.


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