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Sem carnaval, exposição em redes sociais traz gostinho da folia na quebrada

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Exposição virtual resgata memória do carnaval nas periferias de São Paulo / Imagem: Di Campana Foto Coletivo

A exposição virtual “Carnaval de Quebrada” faz homenagem aos moradores das periferias que ocupam as ruas e se divertem em seus próprios bairros.

A partir do registro de diversos blocos tradicionais que movimentam o cotidiano de moradores de periferias e favelas da zona sul de São Paulo, o coletivo de fotógrafos Di Campana Foto Coletivo realiza uma exposição digital nas redes sociais com imagens que resgatam a essência do carnaval na quebrada.

O Di Campana tem na sua essência editorial acompanhar as transformações da paisagem das periferias e favelas para produzir imagens que rompem com a reprodução de estereótipos, através de registros fotográficos que mostram os moradores em uma perspectiva realista e sem sensacionalismo.

Composta por fotografias produzidas entre 2016 e 2020 em várias regiões de São Paulo, onde moradores, organizações sociais e coletivos culturais promovem blocos de carnaval, a exposição “Carnaval de Quebrada” reúne um acervo inédito do Di Campana. “A gente estava com esse acervo de fotos, principalmente de 2019. Não mandamos para ninguém. Aí a gente falou: meu, vamos pensar nesse ensaio fotográfico”, diz Leonardo Britto, um dos integrantes do coletivo.

Ele afirma que o coletivo não teve patrocínio para divulgação do trabalho, mas, mesmo sem retorno financeiro, diz ser importante construir esse documento histórico. “Como as empresas recuaram, ninguém teve interesse financeiro sobre isso. Então falamos: vamos permanecer, vamos montar o vídeo final, vamos fazer essa exposição, que é uma forma de homenagear os blocos que este ano não sairão nas ruas por causa da pandemia”, diz Brito.

A exposição “Carnaval de Quebrada” pode ser acessada no canal do YouTube, Instagram e Facebook do coletivo.

Os blocos que fazem parte do documentário são: Bloco do Abraça, Bloco Afro É DI Santo, Bloco Batuquedum, Bloco do Beco, Bloco Cordão do Congo, Bloco Embondeiro Queixada, Bloco Favela Chic, Bloco Ô Grajaú Vem Tomar no Copo, Bloco do Hercu, Bloco Império do Morro, Bloco do Litraço, Bloco Cordão Sucatas Ambulantes, Bloco União dos Bairros e Bloco Urubó.

De norte a sul e de leste a oeste, as imagens são um verdadeiro retrato do carnaval nas periferias e favelas de São Paulo. “Tem blocos exclusivos de favela que registramos em 2019 e também outros blocos de anos anteriores. A ideia era colocar fotos inéditas”, afirma Britto, dando ênfase ao carnaval de 2019, pelo fato dos registros não terem sido expostos em larga escala nas redes sociais.

O fotógrafo diz que durante todo esse tempo que vem cobrindo o carnaval da quebrada, uma das suas únicas dificuldades foi o fator meteorológico. “O maior empecilho para mim sempre é a chuva, porque equipamento fotográfico e chuva não combinam. Por mais que a gente coloque proteção sobre o corpo da câmera, a lente e tudo mais, tem esse empecilho”, diz Britto.

Após a pandemia, o coletivo planeja fazer uma exposição presencial. “Talvez só no ano que vem ocorra uma exposição física, se for possível o trânsito das pessoas para poder visitar a exposição e, claro, ter um financiador para a execução”, finaliza.

Fonte: UOL

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