Siga-nos nas Redes Sociais


Bairros

Seis dos dez distritos com mais casos de Covid, ficam na Zona Sul de SP

Publicado

dia:

Fachada do Hospital Municipal Guarapiranga, na zona sul de São Paulo

Para especialistas, moradores da periferia não conseguem ficar em casa e precisam sair para trabalhar, o que pode aumentar contágio, e também há falhas na vacinação.

Entre os dez distritos com mais casos de Covid-19 na cidade de São Paulo seis estão na zona sul, segundo ranking elaborado pela Prefeitura de São Paulo.

Desde o início da pandemia até esta quarta-feira (30), a cidade de São Paulo registrou 1.277.380 casos da doença em moradores dos 97 distritos da capital.

Juntos, os dez distritos do topo dessa triste lista reúnem, juntos, 320.599 casos confirmados da doença, ou 25% do total da cidade. Sozinhos, esses seis distritos da zona sul que estão no top 10 somam 235.030 registros, ou 18,4% do total da capital.

Casos confirmados por distrito

  • Grajau (zona sul) 40.637
  • Jardim Angela (zona sul) 39.705
  • Capão Redondo (zona sul) 37.489
  • Sapopemba (zona leste) 36.669
  • Jardim São Luis (zona sul) 35.139
  • Sacomã (zona sul) 30.395
  • Campo Limpo (zona sul) 26.998
  • Brasilandia (zona oeste) 26.289
  • Cidade Ademar (zona sul) 24.867
  • Itaquera (zona leste) 22.739

Fonte: Painel Covid-19 da Prefeitura de São Paulo

Para especialistas, entre os motivos que explicam essa situação estão desde as carências de diversos pontos da região até o modelo de esquema vacinal, que não privilegia as regiões com mais casos da doença.

“A zona sul é estruturalmente mais pobre. Uma sociedade menos estruturada”, afirma o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor de saúde pública da USP (Universidade de São Paulo). A zona sul reúne cinco dos dez piores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) da cidade de São Paulo.

Para o médico sanitarista Jorge Kayano, pesquisador do Instituto Pólis, além da questão histórica estrutural da região, a situação é também reflexo da escolha de grupos prioritários para imunização. Ele é autor de um estudo publicado ainda em 2020 que defende a vacinação de populações de regiões mais afetadas pela pandemia, e não por faixas etárias.

“As regiões da cidade que apresentam as maiores taxas de prevalência de infectados, confirmados por pesquisas de soroprevalência, assim como maiores taxas de mortalidades padronizadas, estão sofrendo maiores atrasos na cobertura vacinal”, afirmou.

Outro estudo em que Kayano participou, publicado no final de maio deste ano, elencou que motoristas, domésticas, pedreiros e trabalhadores do comércio foram as maiores vítimas de Covid-19 na cidade de São Paulo de março de 2020 até março deste ano. “São pessoas que não têm por opção fazer o teletrabalho”, afirma.

Embora Sapopemba (zona leste), figure como o distrito com mais mortes na capital, sete dos dez primeiros são da zona sul, segundo o Painel Covid-19 da Prefeitura de São Paulo.

Barra Funda lidera por taxa de 100 mil

Levando-se em consideração a quantidade de casos confirmados pela projeção de população dos distritos da cidade de São Paulo, o distrito de Barra Funda, na zona oeste, lidera por grupo de 100 mil, com 15.450

Em seguida figuram três bairros da zona leste: Artur Alvim, com taxa de 12.962 por grupo de 100 mil; São Lucas, com 12.644; e Sapopemba, com 12.626.

Na quinta colocação figura Capão Redondo, na zona sul, com taxa de 12.554.

Um dos fatores que explicam o alto número de casos em bairros da zona sul é o fato de que são regiões muito populosas da cidade. No Grajaú, distrito com maior número de infectados por Covid-19 desde o início da pandemia, moram cerca de 390 mil pessoas, de acordo com a Fundação Seade. Já na Barra Funda há cerca de 16 mil habitantes.

Resposta

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou ter realizado um total de 10.044 ações de combate à Covid-19 na zona sul da cidade de São Paulo.

Segundo a pasta, a Coordenadoria Regional de Saúde Sul conta com 125 UBSs (Unidades Básicas de Saúde), além de sete drive-thrus e sete megapostos para auxiliar na vacinação contra a Covid-19.

“Uma frente de trabalho importante são as ações desenvolvidas junto à população em todas as regiões da cidade, de acordo com a realidade de cada local. Agentes comunitários de saúde visitam frequentemente comunidades e vão de casa em casa para orientar os moradores sobre os cuidados preventivos, os sintomas da doença e a importância de procurar atendimento médico tão logo apresentar qualquer sinal da doença. Do início da pandemia até o dia 5 de junho, foram realizadas em todo o município 40.483 ações comunitárias, que alcançaram 6,4 milhões de pessoas”, diz anota a nota.

Segundo a prefeitura, até esta quarta-feira a região aplicou 1.317.218 doses do imunizante, de um total de mais de 7 milhões entre primeira e segunda dose na capital. “É importante ressaltar que não apenas pessoas que moram na região se vacinam no território, mas serve de base para a representação do número total, que hoje representa aproximadamente 47% da população da CRS Sul vacinada”, afirma.

Entre as ações desenvolvidas em toda a capital para enfrentamento da pandemia, a Secretaria Municipal de Saúde disse que dos nove hospitais abertos para atendimento de doentes contaminados pela doença, três deles foram na zona sul: Guarapiranga, Capela do Socorro e Santo Amaro; além da construção do anexo hospitalar no Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch (M’Boi Mirim).

Publicidade