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PF vai à casa de Roberto Jefferson, que resiste à prisão e atira contra policiais

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Roberto Jefferson, homem mais velho, de óculos e cabelos curtos grisalhos, fala em microfone. Usa terno azul-escuro e gravata amarela.

Ex-deputado cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica; em gravação, presidente de honra do PTB diz que não vai se entregar: ‘Vou cair de pé, como homem que sou’

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Roberto Jefferson

O ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB), que cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica no Rio de Janeiro, foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) neste domingo, 23. Em vídeos publicados nas redes sociais e compartilhados por aliados do presidente de honra do PTB, o ex-parlamentar diz ter trocado tiros com os agentes. As imagens, porém, mostram apenas a viatura da corporação com vidros estilhaçados. Jefferson é investigado no inquérito das milícias digitais, que apura a existência de uma organização criminosa que teria agido para atentar contra o Estado Democrático de Direito.

“Mostrar a vocês que o pau cantou. Eles atiraram em mim, eu atirei neles. Estou dentro de casa, mas estão me cercando. Vai piorar, vai piorar muito, mas eu não me entrego. Chega de abrir mão da minha liberdade em favor da tirania. Não faço mais isso, chega. Vou cair de pé, como homem que sou. Sou líder. O líder não é só de palavra, ele dá o exemplo. O Brasil chegou no limite da tirania. Esses caras tiranizaram a gente. Xandão [Alexandre de Moraes], Cármen Lúcia, Fachin”, diz Jefferson em um dos vídeos. “Eu não vou me entregar. Eu não vou me entregar porque acho um absurdo. Chega, me cansei de ser vítima de arbítrio, de abuso. Infelizmente, eu vou enfrentá-los”, afirma em outra gravação, gravada dentro de sua residência.

A operação da Polícia Federal ocorre horas depois de Roberto Jefferson gravar um vídeo no qual faz ataques à ministra Cármen Lúcia, a quem chamou de “prostituta” e “vagabunda”. A gravação foi publicada pela ex-deputada federal Cristiane Brasil em seu perfil no Twitter, na sexta-feira, 20. Na tarde deste domingo, 23, a conta da ex-parlamentar foi retirada do ar. Mais cedo, também neste domingo, os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Eliziane Gama (Cidadania-MA) acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) e pediram a prisão de Roberto Jefferson. “Roberto Jefferson mais uma vez ultrapassa todos os limites do aceitável e ataca, de modo pessoalizado e absolutamente indecoroso, a pessoa da Ministra Cármen Lúcia, integrante da Suprema Corte, em razão de sua atividades jurisdicional como membra do Tribunal Superior Eleitoral”, diz um trecho da petição. “Solicitamos a Vossa Excelência, na qualidade de Ministro responsável pela condução do Inquérito 4781, que tome as medidas cabíveis a fim de apurar os graves fatos ora denunciados, inclusive com eventual determinação de prisão, com recolhimento ao cárcere, do senhor Roberto Jefferson, diante da aparente ineficácia das medidas cautelares alternativas à prisão, inclusive a prisão domiciliar”, afirmam os parlamentares no pedido encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito. O site da Jovem Pan procurou a assessoria de imprensa da PF e pediu informações sobre a ocorrência, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

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