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Periferia tem mais mortes por covid-19 e menos pessoas vacinadas em São Paulo

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Levantamento da USP. Com população majoritariamente branca e com maior média etária, regiões centrais têm índices de imunização contra a covid-19 superior a 12,5%, muito além dos 5% a 7,5% dos moradores de bairros mais afastados.

Os bairros da periferia de São Paulo registraram até três vezes mais mortes em decorrência da covid-19 do que os distritos centrais da capital. Ao mesmo tempo, essas regiões são as que têm menor taxa de vacinação. Os dados fazem parte do mapeamento realizado por pesquisadores da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP (Universidade de São Paulo).

As informações foram coletadas entre março do ano passado, quando a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou a pandemia de Sars-Cov-2, até o último dia 17 de maio.

No período, enquanto bairros como Brasilândia, Perus e Cidade Tiradentes tiveram média de 50 mortes para cada 10 mil habitantes, em regiões como Jardim Paulista, Saúde e Moema, consideradas nobres, este índice é inferior a 20.

© Fornecido por Metro

A maior concentração de contágio e de óbitos nas periferias não foi ignorada pelas autoridades, que discutiram o tema. O próprio ex-prefeito de São Paulo, Bruno Covas – morto dia 16 –, havia declarado que essas comunidades eram as mais afetadas, com mais problemas estruturais e de vulnerabilidade, e consequentemente as que mais precisavam de apoio da prefeitura.

No entanto, não houve – e não há – um direcionamento geográfico para a distribuição das vacinas, até hoje a única alternativa comprovada para atenuar o contágio e suas consequências. O PNI (Programa Nacional de Imunizações), elaborado pelo Ministério da Saúde e reverberado por estados e cidades, abriu a fila de prioridades da imunização com idade e profissão, especificidades de saúde e grupos específicos, como indígenas e quilombolas.

Mas não coloca como critério os riscos de morte por região. Isso faz com que essa dicotomia estoure na periferia: apesar de compilar os mais altos índices de mortalidade, apresenta os menores de vacinação.

Resgatando Brasilândia, Perus e Cidade Tiradentes, os dados oficiais mostram que a imunização com duas doses ainda alcança apenas de 5% a 7,5% da população. Jardim Paulista, Saúde e Moema têm mais de 12% dos moradores vacinados.

“É um problema bem mais profundo. Na verdade, tecnicamente é justificável você priorizar os grupos etários de faixas de mortalidade maiores. A questão é que, quando se aplica isso no mapa, você tem uma reprodução de desigualdades, que eram justamente o que os governos reconheceram no começo da pandemia”, explica Pedro Rezende, um dos autores do estudo.

Segundo o Mapa da Desigualdade, elaborado pela Rede São Paulo em 2020, a expectativa de vida nas regiões periféricas chega a ser até 23 anos menor do que a de habitantes de regiões centrais. Por isso, a campanha que adota o critério de idade como pilar para definir a ordem de vacinação, deixa naturalmente as pessoas de bairros afastados em segundo plano.

Nas regiões centrais, concentra-se a população com faixa maior de idade e, conforme revela o último Censo do IBGE, com renda maior, além de branca.

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