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“Pensava que, aos 30, teria que mudar de profissão”, diz jornalista

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“Pensava que, aos 30, teria que mudar de profissão”, diz jornalista

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Alessandra Blanco é a primeira mulher a se tornar country manager do Yahoo! na América Latina

A jornalista Andressa Blanco acreditava que teria que trocar de emprego ou profissão quando chegasse aos 30 anos. No terceiro ano da faculdade de jornalismo, ela começou a trabalhar na redação de um grande jornal braisleiro e, lá, notou a ausência das mulheres maduras. A própria chefe dela estava na casa dos 20.

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As previsões da jornalista não estavam todas erradas; no entanto, o que se seguiu nos anos seguintes contrariou as próprias expectativas. Alessandra tem 30 anos de atuação no mercado editorial. Ao longo desse tempo, passou por inúmeras redações jornalísticas e agências de publicidade, além de ter atuado como correspondente em Nova York no fim dos anos 1990.

A profissional começou a construir a carreira em um ponto chave do mercado editorial: o início dos portais na internet, o que revolucionou a estrutura do setor de comunicação. Antes mesmo da criação de diversos cargos específicos para o trabalho de comunicação online, Alessandra lembra de ler o HTML escrito em um papel e todo layout do site desenhado a mão. Uma curiosidade: ela foi uma das jornalistas responsáveis por fundar o iG Delas.

Com o passar dos anos, Alessandra foi notando que, sim, existe espaço para mulheres que passam dos 30 anos na comunicação; e, melhor ainda, um espaço que permitiu que ela subisse dentro da organização hierárquica de uma empresa de comunicação. Para contrariar ainda mais essas expectativas de início de carreira, a jornalista completa 50 anos esse mês.

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Há pouco mais de três anos, a jornalista atua como country manager do Yahoo! Brasil. Alessandra é a primeira mulher na América Latina a ocupar o cargo. “Me tornar country manager foi uma quebra de paradigma porque as pessoas que ocupam esse cargo sempre são do seio das finanças ou do jurídico. É a primeira vez que ele é contemplado por alguém do mercado editorial”, conta ao iG Delas.

Ela explica que a liderança não foi algo premeditado, mas uma consequência do planejamento de carreira e de aproveitar as oportunidades que passaram a aparecer. Por mais que existam mais exemplos de mulheres maduras na liderança, Alessandra teme que ocupar o espaço que ela ocupa, com a idade que ocupa e sendo uma mulher é algo que continua difícil.

“Quando observamos os núcleos de redação, é muito comum que a gente veja os homens com mais de 50 anos ainda ali. No caso das mulheres, não tínhamos esses exemplos. É interessante porque abrimos os olhos para o questionamento comum que fica, que é: Será que estarei trabalhando daqui a cinco ou dez anos?”, pondera.

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Um exemplo que ilustra essa lacuna, continua Alessandra, está na falta de dados específicos que apontam a participação de mulheres com mais de 50 e 60 anos em cargos de chefia. “Há uma menção ou outra nos estudos, mas não encontrei uma pesquisa mais séria com esse foco. A gente tem um caminho muito longo pela frente”.

Inclusão de mulheres

Dados divulgados em março deste ano pela Grant Thornton apontam que, no Brasil, 38% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres. Alessandra aponta ainda que ao menos um terço das pessoas não confiam ou confiam menos em lideranças femininas.

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Apesar de existirem avanços, o nível ainda é baixo. No entanto, ela conseguiu reverter essas estatísticas dentro do Yahoo! Brasil. Atualmente, 90% dos cargos de lideranças dentro da empresa são ocupados por mulheres.

“O perfil era bastante masculino, branco e acima de 50 anos. Muitos postos de liderança eram ocupados por homens. O trabalho do time editorial também era muito masculino. Como Country Manager, o meu desafio era dar acesso a outros olhares com diferentes idades, experiências e áreas de atuação. Isso foi acontecendo naturalmente abrindo portas para outros perfis”, explica.

A criação de uma equipe mais diversa foi uma das principais tarefas de Alessandra, que foi encorajada a conversar com colaboradores do mundo inteiro para entender como fazer isso acontecer. Essa ampliação passou a acontecer não só na questão de gênero, mas racial, de diversidade sexual, de classe social ou optando por colaboradores que fossem mães ou pais, por exemplo.

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“Essa discussão nem existia há alguns anos. A gente ouvia absurdos muito grandes. Por exemplo: as pessoas selecionadas eram sempre das mesmas faculdades de elite e brancas. Não havia esse interesse de trazer pessoas diversas”, explica Alessandra, que analisa que, atualmente, há uma melhora nesse quesito com a tendência das empresas se atentarem para as questões de diversidade, equidade e inclusão.

A diversificação de pessoas em postos de liderança não só incentivou a contratação de pessoas diversas, mas teve resultados dentro da criação de conteúdo. Além da equipe, a empresa aposta em parcerias com outras agências de comunicação que abordem diferentes realidades: “É preciso ampliar as vozes para termos o máximo de informação possível com vieses diferentes para retratar o país que a gente vive”.

Mais espaços femininos

Alessandra afirma que, como country manager, tem o interesse de colaborar para que a pluralidade se estenda para que existam ambientes de trabalho mais adequados para todas as mulheres. “Queria que essa geração que viesse depois de mim não tivesse contato com essa situação intimidadora que é se sentar em uma mesa e ser a única mulher. Queria que a minha geração fosse a última a ter a síndrome da impostora”, pensa.

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“Eu tenho meu lugar ali e gostaria de ter outras mulheres que pudessem falar e trocar, porque isso é muito enriquecedor. Quando você vai visitar um projeto, ou vai para uma viagem ou treinamento, a maioria são homens nessa posição. Queria que essa geração depois da minha vivesse em um mundo de mais igualdade, em que é possível se sentar na mesma mesa que várias outras mulheres”, conclui Alessandra.

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