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‘O Flamengo não precisa de uma SAF hoje em dia’, explica advogado

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'O Flamengo não precisa de uma SAF hoje em dia', explica advogado

Gilvan de Souza/Flamengo

Advogado comenta sobre possível SAF do Flamengo

Criada há pouco mais de um ano pelo Congresso, a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) vem estimulando clubes de futebol a mudarem de rumo quanto a administração interna e buscar uma projeção financeira.

Em entrevista ao iG Esporte,
o advogado especializado em direito desportivo, Raphael Paçó, diz que a adoção do modelo SAF deve se tornar um caminho sem volta para os clubes brasileiros.

“Acredito que sim pois é um modelo que favorece a melhoria da gestão, o que resultará em aumento e melhor gestão da receita dos clubes, refletindo no resultado esportivo. Hoje já temos o exemplo do Cruzeiro que iniciou a Série B já no modelo SAF e isso já refletiu no resultado da equipe. Tanto é que já está garantida na séria A do ano que vem, e ano passado estava arriscado em cair para a série C. Em outros casos, vemos clubes que mesmo já tendo aderido à SAF, estão adaptando a sua gestão e organização interna e isso ainda não trouxe reflexo esportivo, como é o caso do Botafogo e Vasco. Mas com certeza na próxima temporada o salto de qualidade será nítido. Com base nisso entendo sim que a adoção do modelo de SAF trará resultado em campo, incentivando cada vez mais os clubes a adotarem esse modelo”.

“Mas vale frisar que o resultado esportivo não está relacionado por causa do modelo Sociedade Anônima do Futebol criado pela lei, mas sim pelo salto de gestão que vem acompanhando os clubes que optarem por já criarem uma SAF. Isso fica nítido quando analisamos o caso do Flamengo ou Palmeiras que não escolheram seguir como SAF, e nem devem optar por esse caminho no futuro próximo, mas mesmo assim monopolizam a disputa dos campeonatos nos últimos anos. Tudo isso pela gestão eficiente e profissional implantada”.

Raphael Paçó é advogado especializado em direito desportivo e tributário
Reprodução/redes sociais

Raphael Paçó é advogado especializado em direito desportivo e tributário

Recentemente, o presidente do Santos, Andres Rueda, afirmou que “jamais será o presidente que vendeu o Santos”, rechaçando a possibilidade de na sua gestão o Peixe se tornar uma SAF. Paçó conta que não necessariamente um clube deve adotar o novo modelo de gestão, apontando para a reestruturação interna inicialmente.

“Precisamos entender que o modelo de SAF não é a “bala de prata” para todos os problemas do futebol brasileiro. O que já está mais do que comprovado que o que muda o patamar de um time, além de investimentos, é a organização da gestão sob todos os aspectos (criação de processos, gestão financeira eficiente e responsável evitando o aumento da dívida e equilibrando a dívida, contratações dentro do orçamento do clube e etc.) O modelo de SAF somente facilita, e incentiva, a implantação de uma gestão eficiente. Isso porque o clube passa a ser uma empresa com a possibilidade de responsabilização pessoal dos administradores em determinados casos, e dos acionistas. Isso por si só incentiva uma gestão eficiente. Mas não é condição para isso. Hoje em dia temos exemplos de clubes que adotaram uma gestão eficiente e estão colhendo resultados esportivos sem a necessidade de adoção do modelo SAF. Também vemos casos onde a SAF foi criada e isso resultou em uma melhora da gestão e dos resultados. Por outro lado, no futuro podemos ver casos de SAF que mantiveram uma gestão ruim e que estarão em dificuldades, com dívidas e outros problemas relacionados.

“Sendo assim, não vejo a opção pela criação ou não da SAF como condição para a cravar se um clube terá dificuldades no futuro ou não. No caso do Santos, a atual gestão implantou um sistema de gestão eficiente e responsável que vem diminuindo a dívida existente de forma considerável. Claro que isso demora até refletir em resultados esportivos. Primeiro se paga a dívida para depois sobrar dinheiro para investimentos”.

Clubes das maiores torcidas do Brasil, Corinthians
e Flamengo
tem a adoção da SAF considerada difícil, algo que o advogado faz questão de explicar.

“Primeiro porque estamos falando de clubes de massa, com quadro de associados muito grandes, conselho deliberativo e etc. Isso torna o processo de aprovação da criação de uma SAF muito burocrático e demorado. Por essa razão é que, dos times ditos “grandes”, poucos foram os que já seguiram no modelo de SAF. E esses são somente aqueles que não tinham mais condição financeira nenhuma de manter suas atividades, ou seja, os que estavam com a “corda no pescoço”. Esse fato facilita muito a aprovação desse modelo diante da burocracia imposta pela estrutura interna destes clubes.

“Em relação ao Flamengo, trata-se de um caso especial. Hoje em dia o Flamengo não precisa de uma SAF. O clube está com as contas em dia, dívida equacionada e tem dinheiro para investimentos esportivos. Tudo isso por causa da mudança de mentalidade na gestão do clube”, explica o advogado, que continua:

“Já no caso do Corinthians, vemos uma situação diferente. Entretanto, é uma equipe com receita muito alta que, mesmo diante do endividamento, consegue manter sua atividade. Isso aliado à organização interna do clube torna improvável, nesse momento, a criação de uma SAF”.

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