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Número de crianças na fila das creches na cidade de São Paulo mais do que triplicou entre julho e setembro de 2021

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Fila da creche na capital paulista — Foto: Reprodução

De acordo com a Prefeitura, o motivo do aumento seria a flexibilização das medidas restritivas de combate à pandemia, já que mais responsáveis estariam fazendo inscrições nas unidades educacionais a fim de ir ao trabalho ou procurar emprego.

O número de crianças na fila da creche na cidade de São Paulo mais do que triplicou entre julho e setembro de 2021. De acordo com a Prefeitura, o motivo do aumento seria a flexibilização das medidas restritivas de combate à pandemia.

Em junho, havia cerca de 8,7 mil solicitações de vagas em creches na capital; em setembro, o número chegou a 28,5 mil.

“Você quer arrumar emprego, mas não dá. Sem creche, não dá, porque não tem com quem deixar”, contou Kathleem Rosana, que vive em Sapopemba, na Zona Leste do município.

Moradora do mesmo bairro, a operadora de caixa Fernanda Alencar ficou com o filho, Kleber, de quatro meses, durante a licença maternidade. No entanto, agora, está com dificuldades em retornar ao mercado de trabalho, já que não pode deixar o pequeno sozinho.

“Me falaram que eu deveria ter solicitado a vaga assim que ele nasceu, mas eu não sabia que estava demorando tanto assim”, disse ela.

O distrito em que Kathleem e Fernanda residem tem a maior fila por vaga em creche na capital: são 1.250 crianças no aguardo. Em seguida, vêm Tremembé (1.010), Grajaú (988), Brasilândia (957) e Jabaquara (934).

Um novo centro de educação infantil na região pretende atender 69 bebês. Segundo a Secretaria Municipal da Educação, o objetivo é acabar com a espera de todas as mães o mais breve possível.

“Temos, sim, o projeto de finalizar, zerar essa demanda até 30 de dezembro”, informou Rebeca Rodrigues, diretora de finanças da Diretoria Regional de Ensino de São Paulo.

O vereador Celso Giannazi (PSOL) denunciou que, para diminuir a fila da creche, a Prefeitura quer reestruturar o ensino infantil para 2022, possibilitando que escolas acabem com os chamados Minigrupos 1 e 2, que atendem crianças de 2 a 3 anos e de 3 a 4 anos, respectivamente. No lugar, entraria o Minigrupo Multietário, que englobaria os dois.

De acordo com a ação popular que questiona a medida na Justiça, a mudança “ignora por completo as especificidades de diferença das faixas etárias”.

“É uma instrução normativa, um instrumento jurídico abaixo da legislação para aumentar essa quantidade de crianças nas salas de aula sem aumentar o número de educadores, ou seja, os educadores não teriam mais condições de dar um suporte aos bebês, e as crianças não teriam o atendimento que é pensado pelo Plano Municipal de Educação”, apontou Gianazzi.

Há mais de um ano, a Prefeitura teve acesso a cerca de 22 bilhões de dólares pagos por dois bancos internacionais para não serem processados pela movimentação de dinheiro desviado na gestão do ex-prefeito Paulo Maluf. O montante deve ser investido na educação, mas inúmeras creches e EMEIs previstas no acordo com o Ministério Público ainda não foram inauguradas.

A Prefeitura da capital disse que já usou 60% do valor recuperado com os bancos pra desapropriar terrenos, onde serão construídas novas creches. Sobre a mudança na estrutura do ensino infantil, a Secretaria Municipal da Educação falou que a junção de turmas é opcional e já é aplicada em várias creches. Segundo a secretaria, a instrução normativa publicada é uma formalização dessa prática, que não deve ter impacto no número de turmas.

Fonte: G1

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