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Michael West e o método forense que destruiu a vida de inocentes

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Michael West e o método forense que destruiu a vida de inocentes

Em abril de 2020, a série documental da Netflix The Innocence Files trouxe para sua plataforma de mais de 223 milhões de assinantes um dos assuntos mais espinhentos do sistema de justiça dos Estados Unidos: condenações injustas.

Por meio de casos descobertos pelo Innocence Project, uma rede de ajuda penal criada em 1992 para libertar e evitar condenações injustas, a série tornou público o nome do odontologista forense Michael West, muito prestigiado durante a década de 1980 e 1990, pela sua especialidade em determinar criminosos por marcas de mordida. 

O ramo da odontologia forense é especializado na aplicação da ciência odontológica para investigação legal, e tornou-se muito popular após a prisão e condenação do serial killer Ted Bundy, um dos assassinos mais prolíficos do século XX.

O melhor de seu tempo

Michael West. (Fonte: Men’s Health/Reprodução)

Entre as décadas de 1980 e 1990, considerado um dos períodos epidêmicos envolvendo crimes e assassinato em série nos EUA, West se tornou um dos odontologistas forenses mais respeitados do mundo. Ele era adepto do método de combinar marcas de mordidas em vítimas de assassinato com os dentes dos seus agressores para determinar um caso.

Além de usar a “comparação direta”, que envolvia colocar fisicamente moldes dos dentes dos réus contra as feridas das vítimas, o especialista também desenvolveu uma técnica para identificar marcas em cadáveres: ele usava uma luz ultravioleta para tentar encontrar vestígios de feridas na pele para provar que eram marcas de mordida. Foi este método que ajudou o homem a garantir uma reputação ilibada, se tornando o pioneiro do seu tempo no campo da odontologia forense.

(Fonte: The Sun/Reprodução)(Fonte: The Sun/Reprodução)

Com um currículo tão impressionante, tendo frequentado a Escola de Odontologia da Louisiana State University, o Instituto de Patologia das Forças Armadas e a Academia Americana de Ciências Forenses, era quase impossível não dar credibilidade ao trabalho de West. Não é para menos que ao longo de sua carreira ele afirmou ter investigado a causa de mais de 5.200 mortes, assistido 5.800 autópsias, e analisado mais de 300 marcas de mordida.

O testemunho do odontologista foi crucial durante os julgamentos para que os promotores garantissem várias condenações por assassinato ao longo do tempo. Foi somente em meados da década de 1990 que especialistas forenses começaram a questionar as conclusões de West, com queixas formalmente registradas em três organizações profissionais das quais ele era membro.

Mesmo deixando duas delas e sendo suspenso da outra, West continuou testemunhando em julgamentos criminais até o início dos anos 2000, quando se aposentou em meio às críticas mais ferrenhas e crescentes sobre seus métodos – apesar de que não havia uma séria preocupação de que várias pessoas pudessem ter sido condenadas injustamente como resultado dos seus métodos falhos.

O responsável pelos inocentes

(Fonte: GlobalNet Pictures/Reprodução)(Fonte: GlobalNet Pictures/Reprodução)

Publicado pela Academia Nacional de Ciências, em agosto de 2009, o estudo Strengthening Forensic Science in the United States: A Path Forward, desacreditou formalmente as marcas de mordidas como meio de identificar e/ou condenar réus em julgamentos criminais.

O depoimento de West contribuiu diretamente para condenações por assassinato de Levon Brooks e Kennedy Brewer, acusados de matar duas meninas no início dos anos 1990. Mesmo sem muitas evidências que os conectassem ao crime, West concluiu que as marcas de mordida nas duas garotas eram deles.

Ele chegou a dizer que as marcas “eram, de fato, e sem dúvida feitas por Kennedy Brewer”. Sendo assim, o juiz determinou que os homens cumprissem mais de 10 anos de prisão antes de serem exonerados, em 2008, depois que o verdadeiro assassino das meninas, Justin Albert Johnson, confessou os crimes. Antes disso, quando o caso estava em aberto, West o havia descartado como suspeito porque acreditava que seus dentes não correspondiam com as marcas nas vítimas.

(Fonte: Tampa Bay Times/Reprodução)(Fonte: Tampa Bay Times/Reprodução)

Johnson confessou que não mordeu as vítimas em momento nenhum e, mais tarde, foi revelado que as marcas inspecionadas pelo especialista, na verdade, eram mordidas de lagostins – o que fazia sentido, visto que os cadáveres das meninas foram encontrados em um lago.

Como se o método falho em si já não fosse o suficiente, a conduta profissional de West também era perturbadoramente inaceitável. Em 2009, foi relatado que uma vez ele forçou o molde dentário de um suspeito em um cadáver para ajustá-lo. Alguns colegas de profissão, como o Dr. Richard Souviron, odontologista forense que testemunhou no julgamento de Bundy, apontou que os modelos de West se concentravam apenas na parte superior da boca.

E, apesar de tanta evidência contra ele, West parece que ainda acredita na legitimidade de seu trabalho. Atualmente com 67 anos, aposentado e morando em Hattiesburg, no Mississippi, ele deixou claro em uma entrevista à Oxygen que ainda acredita em seu trabalho, mas que concorda que não deveria mais ser usado nos tribuinais.

West afirmou também que sentia estar sendo tratado de forma semelhante às estátuas confederadas removidas dos lugares públicos.

“Apagar a história é ignorância. Não beneficia ninguém. E eles querem me apagar da história”, criticou.


Fonte: Mega Curioso

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