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‘Lulapalooza’ deveria acontecer todo o ano. – 04/01/2023 – Quadro-negro

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'Lulapalooza' deveria acontecer todo o ano. - 04/01/2023 - Quadro-negro


“Ai, meu Deus, não vá para a posse do Lula em Brasília! Vai ter atentado, tiro e bomba!”. – ouviram, e acreditaram, todos os que anunciaram vontade de estar ao vivo, na capital do país, no primeiro dia de 2023.

Minha caixa de mensagens no Whatsapp. “Boa sorte. Mas cuidado, se cuide!”

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Como se eu, como qualquer preto no Brasil já não fosse obrigado a se cuidar 24h por dia, 365 dias por ano.

Mas agora pessoas negras iriam assistir a posse de um governo com uma quantidade e qualidade inéditas na história da República.

Quem checou 5 dias antes da posse, entrando em contato com brasilienses ou pessoas que já estavam em na cidade, ouviam o improvável: “A cidade está linda e calma! É como uma onda de festa e amor tivesse tomado conta da cidade. Uma festa de rua em cada esquina, vem logo!”

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“Mas em Brasília não há esquinas!” – argumentamos.

“Mas Brasília tem algo ainda mais energéticas que esquinas. Brasília é cheia de encruzilhadas.”

De fato. Encruzilhadas são quatro esquinas em uma só.

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5 dias antes da posse, Brasília já havia se tornado a cidade das encruzilhadas. A noite de réveillon, celebrada por dezenas de milhares de pessoas na ‘Praça dos Orixás’, foi a cerimônia de axé que faltava. Quando amanheceu, o Eixo Monumental já era o “Exu Monumental”.

Supresa: quem chegava à concreta Brasília, encontrava cidade em estado de êxtase e e abraços e beijos e festas de rua, enquanto nos gabinetes já se trabalhava com toda a disposição e competência necessária para que as promessas de governo sejam cumpridas.
Mas maior das surpresas foi a completa ausência de revista no maior setor público do evento. O gramado onde quase 200 mil pessoas assistiram às quase 12 horas do “Festival do Futuro”, que ganhou o apelido de ‘Lulapalooza’. Entre participações de Martinho da Vila e da Ministra da cultura Margareth Menezes acompanhada da Baiana System, melhor banda brasileira da atualidade.

Uma pena que a liberdade para entrar e sair com o que quiser do ‘Lulapalooza’ não foi devidamente divulgada. No “Lulapalooza” podia-se, na prática, levar o que quisesse: cadeira de praia, comida, guarda-sol, guarda chuva, formar-se o maior pic-nic da história do Brasil. Mas, ao confundir com as regras, essas sim rígidas, de entrada na Praça dos Três Poderes, onde Lula desfilou de carro aberto, subiu a rampa e discursou no parlatório, estas 200 mil pessoas chegaram lá ainda com uma pontinha de receio do que pudesse acontecer.

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Ponto para estas pessoas também, dispostas a viver seu desejo de estar na Praça dos Três Poderes acima do falso perigo que foi divulgado.

Mas as 200 mil pessoas que se esbaldaram no ‘Lulapalooza’ deram beijo coletivo quando Lula beijou Janja na boca, fizeram as ‘rodas de amor’ do Baiana System e sabiam de cor a imensa letra da monumental canção ‘Faraó, divindades do Egito’, cantada por Margareth e que é uma das maiores, mais sofisticadas (e mais apagadas) aulas de História da excelência politica do povo negro.

O “Lulaapaloza”, deveria acontecer todo o o ano. Há, em Brasília, um vazio que só a cultura brasileira, e a economia que um imenso festival como esse leva para uma cidade, pode colocar algo no coração e nas mentes da cidade onde ninguém se vê. Na cidade onde todos só podem andar de carro.

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Quando Valesca Popozuda, mais uma mulher preta, emancipada, dessas tão empoderadas que não liga para o que homens pensam, cantou ́Beijinho no ombro´, já no final do festival, o verso ´tiro, porrada e bomba’, já havia sido subvertido. Os tiros, porradas, e bombas prometidos pelos simpatizantes dos atos antidemocráticos e do terrorismo de extrema direita, já estavam, como a bandeira verde e amarela, recuperados por um povo que não quer odiar. Até os muitos policiais, muitos deles pretos, balançavam as batatas das pernas, querendo dançar. Eram quatro da manhã.

O Brasil, o país, quer amar. Brasília quer mandar beijinho no ombro para quem quer castrar suas potencialidades. No dia seguinte, o discurso de posse de Margareth Menezes, mulher preta, nova ministra da cultura, foi um beijinho no ombro para os que se desfazem da cultura brasileira. Mais tarde, o novo Ministro da Justiça, Flavio Dino, mandou beijinho no ombro para os que tentaram até hoje sabotar as investigações à respeito sobre os mandantes da morte da irmã da nova Ministra da Igualdade Racial. Marielle, irmã da Ministra Anielle. Beijinho no ombro e justiça, finalmente.

E no dia 3 de janeiro, o discurso de posse de Silvio Almeida, homem preto, novo Ministro dos Direitos Humanos, foi uma unanimidade. Disse o vêm os movimentos sociais marginalizados dizendo há décadas no Brasil, mas agora sob um púlpito que finalmente deu amplificação ao discurso. Deu no jornal da noite na TV. Os mais animados, já cravaram: Silvio Almeida para próximo presidente de república. O primeiro negro. Tem meu voto.

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E assim, entre beijinhos e a fundamental ocupação de corpos vivos em espaços públicos da capital federal, especialmente com cultura brasileira, temos um futuro que parece estar novamente ao alcance do presente.

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