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Grajaú lidera queixas por demora entre ônibus

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Fila de passageiros para embarque no Terminal Grajaú (zona sul), um dos locais com mais reclamação por intervalo excessivo entre ônibus na capital paulista

Grajaú teve aumento de 39% nas reclamações em comparação com período pré-Covid

Os minutos a mais nos pontos ou terminais roubam do passageiro tempo que seria gasto de outra forma, seja trabalhando, estudando ou ao lado da família e amigos. Na capital paulista, distritos que registraram mais queixas sobre esse tipo de problema ficam na zona sul, com destaque negativo para o Grajaú, que representa praticamente 1 em cada 10 (9,4%) reclamações na cidade.

As queixas sobre intervalo excessivo entre ônibus foram obtidas por meio dos dados abertos do Portal 156 da Prefeitura de São Paulo, no qual passageiros registram críticas, elogios, sugestões e pedidos por serviços à administração municipal.

De forma geral, na comparação com 2019, no período pré-pandemia, houve uma queda de 30% nas reclamações sobre intervalo excessivo entre ônibus (de 15.739 para 11.003).

Embora bastante acentuada, é relativamente proporcional à redução do número de passageiros desde então –hoje, o volume de pessoas transportadas diariamente pelos ônibus é equivalente a quase 80%, em média, do que era antes da chegada do novo coronavírus ao Brasil.

No caso do Grajaú, entretanto, o aumento na quantidade de reclamações foi de 39,4% entre 2019 e 2021, apesar da queda geral no número de passageiros. Foram registradas 1.032 queixas, ante 740 de dois anos atrás.

Dos dez distritos onde passageiros mais criticaram a demora entre os ônibus, oito ficam na zona sul. Só Itaquera e São Mateus, ambos da zona leste, estão fora da região.

Quando a análise leva em consideração as vias com mais queixas, também se destacam duas na área do Grajaú. A rua Giovanni Bononcini tem 275 reclamações, e a avenida Paulo Guilguer Reimberg, 205. Não por acaso, são os endereços dos terminais Grajaú e Varginha, respectivamente.

Nos pontos de ônibus do bairro, as pessoas não se surpreendem quando informadas que a região tem o maior número de reclamações por intervalo excessivo entre os ônibus. São comuns os relatos de quem já passou mais de uma hora aguardando pelo transporte, mesmo em um dia útil, durante a semana.

Morador do Jardim Gaivotas, o esfirreiro Francisco Everardo Alves, 38, pega três ônibus para chegar ao trabalho. O primeiro até as proximidades do Terminal Grajaú, outro até o largo do Socorro e mais um para descer no Capão Redondo, onde fica o restaurante. Ele conta que já ficou uma hora e 20 minutos aguardando o transporte no ponto. “Tenho que sair de casa uma hora antes do que deveria, senão chego atrasado”, diz.

Uma opção para Alves evitar intervalos tão longos nos pontos seria usar o trem e o metrô no trecho final do percurso, fazendo baldeação a partir da estação Grajaú. Mas aí se impõe uma dificuldade financeira tão comum para quem vive na periferia. “A empresa não vai cobrir R$ 4,40 do ônibus, mais R$ 3,25 do trem (integração), o que dá mais de R$ 400 por mês. Eu recebo de vale-transporte R$ 230”, explica.

Em alguns casos, a demora nos pontos é tanta que moradores do Grajaú se cansam de esperar e decidem ir embora a pé. “Dá 15, 20 minutos andando”, conta a auxiliar administrativo Natali Mendes Lima, 19, que faz a caminhada ao lado da colega de trabalho Juliane Camile Souza, 19.

Consultor em transportes, Sérgio Ejzenberg afirma que a prefeitura e os empresários estão diminuindo a frota. “Estão tentando equilibrar as contas, sem aumentar a tarifa e sem aumentar ainda mais o já bilionário subsídio às empresas”, explica. Em 2022, a previsão é de que a prefeitura gaste R$ 3,5 bilhões em subsídio para cobrir a diferença entre o que se arrecada com passagens e os gastos do sistema.

Segundo Ejzenberg, com menos ônibus circulando, o intervalo aumenta muito, “passando a ser intolerável a espera nos pontos e nos terminais”. “A diminuição da frota compromete a qualidade do serviço e afugenta os passageiros, criando um círculo vicioso que, se não for rompido, termina com a destruição do sistema público de transporte”. O especialista cita a entrada em operação de serviços clandestinos como uma das possíveis consequências.

O número de ônibus em circulação (frota operacional) diminuiu na capital nos últimos anos. Em março de 2013, por exemplo, havia 14.041 coletivos nas ruas, ante 11.943 de março de 2022 (redução de 14,9%). Entretanto, segundo a SPTrans, no mesmo período, passou-se de 9,9 milhões para 6,9 milhões de passageiros transportados diariamente, em média (queda de 30%).

Resposta A Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, afirma que a frota de transporte coletivo está acima da demanda. “A frota é dimensionada de acordo com a demanda existente. A frota atual na periferia é de 98% para 79% da demanda pré-pandemia. A SPTrans monitora diariamente o deslocamento dos passageiros de ônibus na cidade com o objetivo de realizar eventuais ajustes caso seja constatada a necessidade”, diz em nota.

Questionada também sobre o número de ônibus em circulação, a prefeitura diz que a diferença de frota no período anterior à pandemia se dá pela adequação à demanda, em especial após a inauguração de novos trechos e estações dos sistemas sobre trilhos, como a expansão das linhas 4-amarela, 5-lilás, 9-esmeralda e 15-prata.

A SPTrans também diz que houve avanço nas tecnologias utilizadas, permitindo substituir parte da frota por ônibus maiores, com capacidade superior de transporte de passageiros como os superarticulados, além da incorporação de itens de conforto, como ar-condicionado, recarga de celular via USB e wi-fi.

Segundo a prefeitura, as equipes de fiscalização da SPTrans estão intensificando as ações na região do Grajaú, “tendo como base as colaborações dos passageiros recebidas por meio dos canais de comunicação, visando garantir o nível de qualidade e satisfação exigidas pela gestora e o cumprimento das viagens programadas”.

Segundo a administração municipal, para verificação de reclamações específicas de passageiros, é preciso identificar a linha, local e horário para encaminhamento às equipes de fiscalização da SPTrans.

Presidente do SPUrbanuss (Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo), Francisco Christovam também afirma que a frota é praticamente a mesma do período pré-pandemia, apesar da redução do número de passageiros. “Na periferia, em alguns lotes, estamos com 100% da frota”, explica.

Christovam diz ainda que há mais lugares oferecidos do que no período anterior à pandemia e que, apesar do aumento no custo de operação, não há degradação do serviço ou prejuízo da qualidade de atendimento.

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