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Governo já aprovou 239 novos pesticidas em 2019. Só na última semana foram 42 novos agrotóxicos.

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Avião dispersa agrotóxicos no ar sobre plantação. Foto: Agência Brasil

Até inseticida neurotóxico proibido há 15 anos na União Europeia foi liberado esta semana no Brasil, segundo pesquisadora da USP.

O governo brasileiro de Bolsonaro tem acelerado junto com a base governista a liberação de uso de diversos novos agrotóxicos no país e tem aumentado a preocupação de especialistas com os vários riscos que isso representa para a saúde de todas as pessoas e o meio ambiente.

Nunca tantos agrotóxicos tinham sido liberados num intervalo de tempo tão curto no Brasil. Além disso, o número de defensivos aprovados no Brasil vem crescendo significativamente nos últimos três anos, fato que preocupa ambientalistas e profissionais da saúde. Em 2015, foram 139. Em 2018, 450.

Em 2019, o governo já autorizou 239 novos pesticidas,mais da metade do que o ano passado, sendo 42 só esta semana. Um recorde perigoso e nocivo. Ao todo já são mais de dois mil agrotóxicos licenciados para uso nas lavouras brasileiras.

De acordo com o último levantamento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentaçã, o Brasil foi o país que mais gastou com agrotóxicos no mundo, superando países como Estados Unidos, China, Japão e França.

O Ministério da Agricultura não contesta esses dados, porém afirma que o Brasil ainda não é o campeão mundial de agrotóxicos, quando se fala de área o país apareceria em 44º lugar no ranking que mede a quantidade de pesticidas por hectare, atrás de Bélgica, Itália, Portugal e Suíça.

Larissa Bombardi, pesquisadora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo questiona os dados do levantamento, segundo ela o cálculo incluiria as áreas de pastagens, o que alteraria o resultado final.

“Se nós olharmos os dados do último censo do IBGE em termos de ocupação agrícola no Brasil, o pasto, a pastagem é aquilo que ocupa a maior área. E a pastagem usa pouquíssima quantidade: menos de 10% do volume de agrotóxicos utilizados no Brasil tem como destino o pasto. Então, quando você soma o pasto na área agriculturável do Brasil, esse volume enorme de agrotóxicos dilui e parece que usamos pouco”, explicou ela.

A pesquisadora também afirma que 40% dos agrotóxicos autorizados na última semana para serem utilizados no Brasil foram banidos da União Europeia pelos elevados riscos à saúde e ao meio ambiente.

“Eu penso que o Brasil está andando para trás. Desses 42 agrotóxicos autorizados essa semana, 40% são proibidos na União Europeia. Alguns deles há 15 anos. Há um inseticida chamado atrazina que é proibido há 15 anos na União Europeia, porque é neurotóxico e, no entanto, ele está no rol, está na lista das substâncias autorizadas esta semana no Brasil”, continuou Larissa Bombardi.

O Ministério da Agricultura afirma que todos os defensivos liberados em 2019, com exceção de uma nova substância, já existem no mercado e que a oferta de genéricos abre caminho para a concorrência.

Especialistas denunciam outros problemas relacionados à multiplicação de agrotóxicos no Brasil. Além da falta de fiscalização e da orientação técnica para o agricultor sobre como aplicar corretamente os pesticidas, o país não está em dia com as análises dos alimentos para saber se eles estão chegando à mesa do consumidor com excesso de agrotóxicos.

Luiz Claudio Meireless, pesquisador da Fiocruz e ex-diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, lembra que o último relatório sobre riscos de contaminação dos alimentos foi publicado em 2016.

“A Anvisa, por exemplo, nos últimos anos. Eu não tenho visto o trabalho que ela tinha na área de controle. E, mesmo assim, nós tivemos já dois anos sem coleta. O outro problema é o monitoramento de mercado, que é importante você fazer um mapeamento daquelas substâncias perigosas, como é que são distribuídas. Isso não aconteceu mais. Notícia de fiscalização não tem acontecido”, avaliou.

O Ministério da Agricultura afirmou que o maior número de licenciamentos se deve à agilidade na análise dos pedidos e criticou a comparação dos agrotóxicos usados no Brasil com a Europa. A comparação correta seria com outros países como Estados Unidos e China que praticam agricultura de larga escala. O Ministério garantiu a segurança dos alimentos.

“Eu não vejo como um risco à saúde primeiro porque a gente não tem um aumento do uso de agrotóxicos a campo, na verdade esses produtos vão disputar um mercado que já está consolidado e a garantia legal de que eles foram amplamente avaliados pela Anvisa”, afirma o coordenador geral de agrotóxicos do Ministério da Agricultura, Carlos Ramos Venâncio

A Anvisa informou que o programa de análise de resíduos de agrotóxicos em alimentos continua ativo e que deve publicar dados novos no segundo semestre.

Fonte: G1

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