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Governo Doria fecha pronto atendimento de seis hospitais sob protestos de movimentos sociais

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Moradores e movimentos protestam no próximo dia 27 de fevereiro contra a medida. "Isso tem um impacto do ponto de vista do atendimento", denuncia conselheiro de saúde

Unidades da região metropolitana e da capital paulista são atingidas pela medida que, segundo moradores, deixará as comunidades sem assistência para casos de urgência. Conselhos criticam falta de transparência e consulta por parte do estado.

Em plena pandemia da covid-19, o governo de João Doria (PSDB) pretende fechar o pronto atendimento em hospitais de Cotia e Itapecerica da Serra, na região metropolitana de São Paulo, além de unidades na Vila Alpina e no Itaim Paulista, zona leste, e no Grajaú e em Pedreira, na zona sul da capital paulista. A medida prevê 90 dias, a contar de 1º de fevereiro, para que os hospitais e as comunidades se reorganizem. 

A decisão, de acordo com a secretaria estadual da Saúde, tem o intuito de evitar que casos menos graves prejudiquem atendimentos de maior complexidade. Porém, os conselhos estadual e municipal de Saúde denunciam que o fechamento não foi debatido com a sociedade civil organizada, conforme relatam à repórter Larissa Bohrer da Rádio Brasil Atual. De acordo com eles, o encerramento dos prontos-socorros não foi, em nenhum momento, comunicado. 

“Na minha avaliação, independentemente se o governo vai fazer ou não, ele podia comunicar os conselhos, debater e justificar. Ninguém pode impedir o governo de tomar decisões, mas ele precisa explicar o que está acontecendo, porque isso tem um impacto do ponto de vista do atendimento. Com a vacinação (contra a covid-19), as unidades de saúde, particularmente as UBSs (Unidades Básicas), vão ficar tomadas”, observa o conselheiro municipal de Saúde Leandro de Oliveira. 

Risco de desassistência

Integrante do Movimento Popular de Saúde Ivaneide de Carvalho, também confirma a análise de Oliveira. Segundo ela, com o fechamento dos prontos-socorros, o serviço ofertado pelas UBSs ficará ainda mais sobrecarregado durante a semana. Além de deixar os pacientes que precisarem de atendimento durante à noite, ou aos sábados e domingos, sem assistência.

“Isso descaracteriza o trabalho da atenção básica que já vem sendo desmontado e não é de hoje. Porque esse é um serviço que já sabemos que está numa situação difícil por conta da pandemia, mas é um serviço de referência em consultas marcadas. Agora, não para você fechar um pronto socorro e dizer que qualquer coisa a UBS pede a ambulância. Isso é um absurdo dos absurdos, porque acontece de tudo o que pode acontecer”, contesta. 

Ainda segundo Ivaneide, o fechamento dos prontos-socorros também deve pressionar negativamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “O Samu já vem sendo desmontado pelo município há muito tempo. Mesmo antes da covid demorava horas para chegar depois de acionado. Imagina em uma situação como essa que estamos vivendo?”, questiona a integrante do Movimento Popular de Saúde. 

Protesto

Na Vila Alpina, por exemplo, segundo o membro da coordenação municipal da Central de Movimentos Populares (CMP), Alexandre Bonfim, as unidades de Atendimento Médico Ambulatorial (AMA) e de Pronto Atendimento (UPA) também não atendem 24 horas. Morador da região da Vila Prudente, ele teme que a comunidade local fique sem assistência para os casos de emergência.

O fechamento do pronto atendimento de seis hospitais também tem provocado revolta nos moradores das demais regiões. Para tentar reverter a decisão do governo Doria, eles planejam um protesto para o último sábado de fevereiro, dia 27. Promovido pela Brigada pela Vida de Sapopemba, o ato conta com o apoio de outros movimentos sociais e da população, que se manifestará na data em frente ao Hospital da Vila Alpina. 

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