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Em fim de semana frio a prefeitura de Bruno Covas toma roupas de morador de rua após madrugada de 7ºC

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Imagem de moradores dormindo cobertos. Foto: Reprodução/Globo News

Em um fim de semana com recordes de temperaturas baixas para o ano e com tendência a esfriar mais, a prefeitura de São Paulo do prefeito Bruno Covas continua realizando ações que prejudicam pessoas em situação de rua.

Ação do serviço de remoção e higienização da Prefeitura de São Paulo, também conhecido como rapa, levou embora no sábado dia 6/07 diversos pertences como roupas, mantas, colchões e objetos pessoais, entre outras coisas, de três moradores de rua que cuidam da praça Chão de Giz, no cruzamento das avenidas São João e Duque de Caxias, na República, na região central.

Deixada de lado pelo Poder Público por anos, a praça tem sido revitalizada pelo morador de rua Alexandre Pinto Martinez, 43 anos, que vive no local ao lado de outras duas pessoas.

Ele faz a jardinagem, pintura e conservação do espaço, que fica próximo à região chamada controversamente de “cracolândia”. A vida de Martinez já foi retratada em uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo dois anos atrás.

Um vídeo veiculado nas redes sociais mostra a ação:

Neste sábado, na manhã seguinte à madrugada mais fria do ano na capital (a temperatura mínima chegou a 7,4°C), Martinez foi surpreendido por volta das 11h com a chegada do rapa, sob a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB).

“Esperaram os dias mais frios, em pleno sábado, para vir aqui e dizer que tinha um monte de madeira na praça. Chegaram arrastando barraca, mochila, ferramentas. Pisaram nos quadros e nas molduras”, diz.

Martinez fica preocupado é com as noites geladas que se aproximam. “Levaram roupas, mantas e colchão, que estava secando. Fiquei só com a roupa do corpo, afirma. Eles levaram até um carrinho de mercado que foi recebido como doação, que a gente usa para carregar água para molhar as plantas”, diz.

O morador de rua explica que, antes de sua chegada, a praça estava completamente abandonada. Depois, foi pintada e recebeu jardinagem feita por ele. “Concordo que não tenho papel, que estou no espaço público. Mas, independentemente disso, esse espaço público antigamente era um ‘cracódromo’, um fumódromo”, afirma.

Também morador da praça, João Roberto Silva Temporini, 28 anos, discorda da forma como os funcionários da prefeitura agiram. “Vejo como saqueadores. Levaram só o que interessava para eles. Os cacarecos, eles não quiseram levar”, afirma.

“Eu tive que abraçar a televisão, porque queriam levar, assim como o fone de ouvido do Alexandre. Quiseram tomar o balde com pincéis e tinta, tudo novo. Nós ganhamos esse material, foi um voto de confiança das pessoas. A gente pode produzir aqui”, explica.

Segundo Temporini, a GCM (Guarda Civil Metropolitana) chegou depois de o rapa ter iniciado a remoção. “Perguntaram se a gente não iria ficar bravo. Enquanto isso, os funcionários da prefeitura já queriam levar meus livros referentes a plantações e artes, os dicionários também”, afirma.

Fonte: Yahoo

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