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Política

Doria deixa Governo de SP com 23% de aprovação e 36% de reprovação, diz Datafolha

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O tucano João Doria encerrou seu governo em São Paulo com avaliação positiva de 23% dos paulistas, de acordo com pesquisa Datafolha.

Levantamento do instituto feito entre terça (5) e quarta-feira (6) mostra que os índices de aprovação e reprovação dele se mantiveram estáveis em relação à consulta anterior, feita em dezembro passado.

Agora, consideram a gestão Doria ruim ou péssima 36% dos entrevistados —eram 38% no fim do ano passado. Para 39%, o trabalho feito é regular —antes, a taxa era de 37%. O índice de ótimo/bom era de 24% em 2021.

A margem de erro máxima da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. O Datafolha ouviu nesta rodada 1.806 pessoas em 62 municípios paulistas.

Doria renunciou ao governo no último dia 31 para concorrer à Presidência da República. Assumiu o estado o vice, Rodrigo Garcia, eleito pelo DEM e hoje no PSDB.

O fim do governo Doria foi marcado por um imbróglio que esteve prestes a implodir a aliança que governa o estado há décadas.

Na semana passada, na véspera do dia anunciado para a renúncia, o tucano comunicou ao vice que havia decidido permanecer no cargo, desistindo da pré-candidatura à Presidência.

Vencedor das prévias nacionais do PSDB em 2021, Doria não decolou nas pesquisas e enfrenta resistência interna de ala simpática ao ex-governador gaúcho Eduardo Leite.

A notícia deixou o meio político do estado em polvorosa. Aliados de Rodrigo Garcia se queixavam da quebra de acordo e cogitaram um rompimento. Doria, por fim, manteve o plano original e deixou o cargo, afagando o sucessor em evento de despedida na capital.

Como sequela, porém, o grupo governista perdeu o apoio do apresentador José Luiz Datena, que havia se filiado à União Brasil para disputar o Senado em chapa com Rodrigo Garcia.

Datena resolveu migrar para o PSC e pode se aliar ao pré-candidato bolsonarista ao governo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos.

Nesta rodada, o Datafolha também questionou os entrevistados sobre as realizações do governo Doria.

A resposta negativa lidera por larga margem: 74% disseram que ele fez menos pelo estado do que se esperava. Disseram que foi feito o esperado 16%, e outros 6% afirmaram que ele realizou mais do que previam.

Outro questionamento do instituto foi sobre o grau de confiança nas declarações do ex-governador.

Também nesse quesito, a avaliação negativa sobre Doria supera a positiva, ainda que os índices não tenham se alterado muito em relação a 2021.

Disseram que nunca confiam no que é dito pelo tucano 42% dos entrevistados, ante 11% que afirmaram que sempre confiam. Em setembro do ano passado, esse placar estava em 44% a 8%.

A taxa de quem “às vezes” confia foi de 48% para 45% agora.

A nova pesquisa do Datafolha também mostra que não há uma grande diferença na avaliação sobre o ex-governador entre a capital e o interior do estado.

Quando venceu a eleição em 2018, Doria foi menos votado no município de São Paulo do que seu adversário no segundo turno, Márcio França, do PSB.

À época, ele tinha se desgastado por renunciar à prefeitura da capital após apenas 15 meses no cargo.

Agora, a taxa de avaliação ótima/boa dele, que é de 23% na população em geral, vai a 20% ao se levar em conta apenas a capital —variação dentro da margem de erro, que na capital é de três pontos percentuais.

Da mesma maneira, o volume de quem acha que o tucano fez menos do que se esperava vai de 74% no geral para 77% ao se considerar apenas o município de São Paulo.

Doria concluiu seu período no governo tendo como grande trunfo a produção e aquisição da vacina Coronavac, desenvolvida em parceria entre o laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan.

O imunizante teve grande importância no combate à Covid-19 ao longo de 2021 e foi distribuído para todo o país.

A iniciativa até agora, porém, não rendeu dividendos eleitorais nacionalmente para o tucano. Pesquisa do Datafolha feita em março mostra que Doria tem apenas 2% das intenções de voto para presidente.

Duas semanas antes de deixar o cargo, o então governador liberou o uso de máscaras em ambientes fechados no estado, em medida criticada por especialistas pelo viés político.

O mandato do tucano também foi marcado por troca de ataques e rusgas com o presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem havia apoiado em 2018.

Bolsonaristas miraram o então governador de São Paulo principalmente para criticar a imposição de medidas de quarentena no auge da pandemia, entre 2020 e 2021.

No recorte que leva em conta apenas entrevistados que consideram o governo Bolsonaro ótimo ou bom, a reprovação à gestão Doria salta de 36% para 51%. Também nesse segmento, a taxa de quem nunca confia nas declarações do tucano sobe de 42% para 50%.

No recorte etário, ele tende a ser menos aprovado entre jovens de 16 a 24 anos —19% consideram seu governo ótimo ou bom. Entre os funcionários públicos, o índice de ruim ou péssimo vai a 54%.

A aprovação de Doria hoje é bem inferior à ostentada em anos eleitorais anteriores por Geraldo Alckmin, que governou o estado por quatro mandatos pelo PSDB e agora está no PSB.

Em abril de 2018, quando deixou o estado para concorrer à Presidência, o trabalho de Alckmin era avaliado como ótimo ou bom por 36% dos entrevistados pelo Datafolha. Quatro anos antes, ao se preparar para tentar novo mandato em 2014, o índice do então governador era de 41%.

Também é bastante inferior à de José Serra em março de 2010. Na época, o tucano tinha 55% de aprovação.​

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