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Conheça lugares de SP cantados em músicas – 24/01/2023 – Cotidiano

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Conheça lugares de SP cantados em músicas - 24/01/2023 - Cotidiano


Aos 469 anos, São Paulo tem mais canções celebrando ruas, praças e festas do que é possível contar. Seus poetas falaram de prédios que seguem de pé, barracos que foram ao chão e costumes que se transformam a cada ano, tal qual uma metrópole mutante.

Esquina mais famosa da cidade, consagrada nos versos de “Sampa” (1978), de Caetano Veloso, o cruzamento das avenidas Ipiranga e São João passou por uma revitalização e ganhou no mês passado estátuas de bronze de Adoniran Barbosa (1910-1982) e Paulo Vanzolini (1924-2013), autores de grandes clássicos da nossa música.

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Zoólogo, Vanzolini é o compositor de “Ronda”, lançada em 1953 por Inezita Barroso (1925-2015) e gravada depois por Maria Bethânia e diversos intérpretes. É também dele o samba “Praça Clóvis” (1967), popular na voz de Chico Buarque. Vizinha da praça da Sé, no centro da capital, a Clóvis Beviláqua e sua rotina de furtos e roubos foi pano de fundo para uma letra sobre coração partido.

Na praça Clóvis / Minha carteira foi batida / Tinha vinte e cinco cruzeiros e o seu retrato / Vinte e cinco eu, francamente, achei barato / Pra me livrarem do meu atraso de vida

Autor de “Trem das Onze”, um hino de São Paulo, e canções como “No Morro da Casa Verde”, “Viaduto Santa Ifigênia”, “Praça da Sé” e “Um Samba no Bixiga”, Adoniran também cantou sobre o popular Carnaval da Vila Esperança, na zona leste da cidade.

A folia de 1958, em especial, ficaria para sempre na lembrança do carnavalesco Augusto Dias Gallera. Então com 27 anos, ele participou da montagem de um carro alegórico na Vila Esperança. Cercado pela multidão e ao som de marchinhas, a alegoria tinha nove estátuas de gesso representando dragões, demônios e humanos desfigurados, que expeliam labaredas de fogo por meio de um sistema a gás enquanto passavam pelas ladeiras da rua Evans.

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Dez anos ainda se passariam até que o Carnaval do bairro, o mais concorrido de São Paulo à época, fosse imortalizado por Adoniran na canção “Vila Esperança” (1968). Os versos e a melodia foram adaptados de uma cantoria informal inventada por moradores da própria região, segundo Gallera.

Hoje com 92 anos, Gallera é uma dos poucos que têm memória da primeira geração do Carnaval na vila. Ele ainda se lembra das batalhas de confete e das partidas de futebol à fantasia do bairro, um local afastado com acesso apenas de trem. “Quando viemos morar aqui [em 1932] não tinha luz e só tinha água de poço. Era mato tudo em volta, uma cidadezinha do interior. Quando foi que eu pensei que ia ter elevador na Vila Esperança!”, conta.

Vila Esperança, foi lá que eu passei / O meu primeiro Carnaval / Vila Esperança, foi lá que eu conheci / Maria Rosa, meu primeiro amor

As marchinhas deram lugar ao samba-enredo na Vila Esperança, que cresceu e hoje tem prédios com mais de 20 andares em construção. Gallera tornou-se um ídolo dos carnavalescos que hoje formam o bloco mais tradicional em atividade no bairro, o Chorões da Tia Gê, que surgiu nos anos 1970.

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Na última sexta (20), Gallera mostrou ao presidente do Chorões, Raoní Oliveira, 34, um caderno com manuais de montagem dos carros alegóricos e estudos de desenho que reuniu durante décadas. E prometeu repassar ao jovem todo o seu conhecimento.

Que tempo bom

O ano era 1983. Enquanto segurava uma pá e cavava a terra de um terreno onde morava na Vila Missionária, zona sul de São Paulo, o rapper Thaíde ouviu no rádio o anúncio de uma festa que lançava um novo disco de black music. Ele tinha 16 anos e nunca esqueceu os acordes da música, as frases do locutor e sua vontade enorme de ir ao baile naquele sábado.

Só depois Thaíde conheceria o lendário circuito de bailes da Chic Show, que ele homenageia na música “Sr. Tempo Bom” (1996), em parceria com DJ Hum.

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Essas festas foram um marco na vida noturna da cidade nas décadas de 1970 e 1980, conta o rapper, e nomes como James Brown (1933-2006) e Betty Wright (1953-2020) chegaram a vir ao Brasil para se apresentar. Os bailes se espalhavam por todo canto: Clube da Cidade e Club Homs, no centro; Palmeiras, na zona oeste; Guilherme Giorgi, na leste.

No centro da cidade as grandes galerias / Seus cabeleireiros e lojas de disco / Mantêm a nossa tradição sempre viva / Mudaram as músicas, mudaram as roupas / Mas a juventude afro continua muito louca

Em “Sr. Tempo Bom”, Thaíde lembra a importância das galerias do centro na cena da música negra paulistana. A organização dos bailes tinha parcerias com as lojas, onde eram deixados convites para as festas.

Aos 55 anos, Thaíde hoje olha as rampas do Centro Comercial Presidente, conhecida como Galeria do Reggae, e se recorda das filas que ali se formavam nas tardes que antecediam os shows. “Aqui as pessoas se reuniam para se arrumar, fazer um cabelo black power, fazer as unhas, comprar uma roupa ou coisa parecida”, conta o rapper.

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São Paulo, meu amor

O ano era 1965. Recém-chegado a São Paulo, o baiano que cantava fatos e pessoas de Salvador e de Irará (BA) sofria uma crise criativa, não conseguia compor.

“Fiquei meio sem saber começar”, conta o músico Tom Zé. “Aí um dia fui ver ‘São Paulo SA’, [filme] do Luiz Sergio Person. Era uma coisa sobre a São Paulo daquele tempo, os personagens, as fábricas. Aquilo soltou meu braço. E todas as músicas do meu primeiro disco, que se chama ‘Grande Liquidação’, são sobre São Paulo.”

“São Paulo Sociedade Anônima” (1965) conta a história de Carlos (Walmor Chagas), um homem egoísta às voltas com o vazio da própria existência em uma cidade cheia de gente. Foi a inspiração para o álbum de 1968 de Tom Zé, que tem canções como “São São Paulo”, “Camelô”, “Não Buzine que Eu Estou Paquerando” e “Parque Industrial”.

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São oito milhões de habitantes / De todo canto e nação / Que se agridem cortesmente / Correndo a todo vapor / E amando com todo ódio / Se odeiam com todo amor

A partir daí, o baiano não parou mais. Em 1972, Tom Zé lançou “A Briga do Edifício Itália com o Hilton Hotel” e, no ano seguinte, “Augusta, Angélica e Consolação”, esta última sua canção mais popular e presença obrigatória nos shows que faz por aí, aos 86 anos de idade. Depois ainda vieram “A Volta do Trem das Onze” (2005) e “USP x GV” (2016), entre outras.

Desde 2007, o prédio que ocupava o Hilton, na avenida Ipiranga (centro), passou a abrigar instalações do Tribunal de Justiça de São Paulo. O espaço do antigo hotel foi transformado para abrigar gabinetes de desembargadores e unidades administrativas.

Morador de Perdizes, na zona oeste de São Paulo, Tom Zé foi eleito imortal da Academia Paulista da Letras. E conta que, desde que tomou posse, em novembro do ano passado, passou a ser mais abordado em suas andanças pelo bairro. “Essa coisa da Academia triplicou a minha popularidade e também a minha ‘paulistanidade’.”

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