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Cicloviajante conta como superou o medo – 15/01/2023 – Ciclocosmo

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Cicloviajante conta como superou o medo - 15/01/2023 - Ciclocosmo


“O peso da nossa bagagem é proporcional ao nosso medo”, disse a bióloga brasileira Juli Hirata ao lembrar dos 80 Kg de suprimentos que carregou em sua bicicleta no primeiro dia de sua viagem solitária, iniciada no Alasca (EUA) em abril de 2016.

O que Juli enfrentaria naquele fim de inverno ártico certamente faria a grande maioria dos machões desistir muito antes de arrumar as malas.

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“No primeiro dia, quando parti de Prudhoe Bay, fazia 32 graus negativos, o forte vento soprava pedras pela estrada e, para piorar, dois ursos polares cruzaram meu caminho. Esses bichos quando acordam da hibernação comem de tudo, inclusive gente!”

Nada disso a impediu de continuar, e a corajosa ciclista, que na época tinha 37 anos, partiu para seu ambicioso plano de pedalar do Alasca até o Brasil. Sozinha, sem apoio, apenas com a força de suas pernas.

O primeiro trecho foi um dos mais difíceis de tudo o que Juli já experimentou. Foram 17 dias cruzando uma região inóspita, gélida e desabitada, dormindo em barraca e cozinhando a própria comida até chegar na cidade seguinte.

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“Tive bastante medo, mas não sou uma irresponsável que não sabe o que está fazendo. Leio muito para me preparar”, disse ao comentar que, antes de sua partida, havia estudado as particularidades do clima e geografia locais, técnicas de sobrevivência e a fisiologia do corpo humano em situações de frio extremo.

Além dos riscos oferecidos pela natureza, Juli também já enfrentou outros tipos de ameaça. “Quando cruzei a fronteira dos Estados Unidos com o México, tentaram me convencer a me vestir como homem para não ser estuprada, assaltada, assassinada e enterrada em meio ao canavial. Esse tipo de coisa que as pessoas falam, desses alertas, está muito mais ligada aos medos delas do que aos meus. No fundo é até gostoso receber essa preocupação, mas sigo em frente porque sei que não é bem assim”.

Quando monta sua barraca em locais que considera mais vulneráveis, a aventureira mistura táticas que aprendeu estudando com outras que desenvolveu sozinha. “Herdamos dos primatas essa característica de se deslocar olhando para baixo, por isso me instalo sempre em lugares mais altos, em montanhas acima da estrada. Se eu fico quieta, ninguém me percebe. Também costumo criar armadilhas de som no entorno da barraca, com fios a meia altura amarrados a panelas. Se alguém esbarra nelas, desperto e fico em alerta”.

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Em 2017, quando estava descendo a encosta do vulcão Irazú, na Costa Rica, a viajante sofreu um grave acidente no qual quebrou o braço direito. O tratamento, que demandou várias transferências de hospitais entre Costa Rica, Panamá e Brasil, consumiu todas as suas economias. “Desde então eu aprendi a viver com muito pouco. Sobrevivo com cerca de US$ 500 por mês”, disse ao comentar que seus rendimentos vem hoje dos textos que escreve para publicações internacionais que tratam de temas de inclusão social ou ecologia.

Em fevereiro do ano passado sua bicicleta e grande parte dos equipamentos foram roubados no Peru. Sem mais economias, todas gastas no tratamento do braço quebrado, Juli só pôde continuar porque recebeu apoio da bicicletaria paulistana Drop e da fabricante americana de bicicletas Specialized.

A jornada com equipamento novo teve também a rota redesenhada, e em junho de 2022 o ponto da nova partida foi alterado para Portugal. “Preferi tirar umas férias e evitar a tensão de pedalar pela América Latina”

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Com 28.764,2 Km pedalados por 26 países, desde a partida no Alasca, Juli já alcançou o Leste Europeu e está hoje em meio às construções medievais de Veliko Tarnovo, cidade no centro da Bulgária. Disse que chegou ali depois de mudar diversas vezes a sua rota.

“Estou perto de Istambul, mas não decidi ainda o rumo que vou tomar. Não sei se faço a Rota da Seda, se volto para recomeçar de onde fui roubada no Peru, se vou para a Ucrânia… O agora define meu destino”, disse a viajante que na próxima terça-feira (17) completará 43 anos de idade.

Perguntada sobre quando terminaria sua jornada e voltaria para a segurança de seu lar, Juli deu uma resposta peculiar: “Vou continuar até encontrar uma razão para ficar. Minha casa é mais ligada ao tempo do que ao lugar”.

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Juli já começou a escrever um livro sobre suas experiências, mas disse que ainda não conseguiu juntar coragem para dividir todo o conteúdo com alguma editora.

Enquanto seu livro não sai, quem quiser acompanhar as aventuras da cicloviajante pode segui-la em sua página do Instagram. O perfil é @juli_hirata.

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