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Burnout materno: sintomas e como atenuar a exaustão

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A chegada de um bebê envolve um clima de afeto e felicidade, mas também altera toda a rotina da família. Afinal, um bebê é completamente dependente e, por isso, implica em uma série de cuidados que não podem ser adiados.

Por isso, algumas mães podem apresentar um desgaste emocional mais intenso do que o previsto, acompanhado de sentimentos de exaustão física e emocional.

“Esse quadro configura a Síndrome de Burnout materno que apresenta um conjunto de sintomas como tristeza, ansiedade, falta de energia, apatia, irritabilidade exacerbada, mau humor, isolamento social, entre outros”, diz Arthur Hirschfeld Danila, psiquiatra Coordenador do Programa de Mudança de Hábitos e Estilo de Vida do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.

Esse diagnóstico ainda não tem um registro oficial da prevalência de casos. No entanto, segundo Danila, nos consultórios as queixas são cada vez mais frequentes. “É uma exaustão em que a mãe não consegue cumprir as atividades de rotina e seu comportamento fica alterado”, reforça Cristina Borsari, psicóloga da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Para a psicóloga, essa mulher vai se sentindo sufocada e sente que seu trabalho não tem valor, por isso, a família tem papel importante na percepção do problema.

O quadro fica mais complicado quando as mulheres, em função da pressão social implícita de que sejam capazes e preparadas para serem mães, profissionais e donas de casa, não conseguem dar conta e não têm coragem de externar a dificuldade, por se sentirem constantemente julgadas.

“Todas as atividades ficam voltadas para os outros ou para os filhos, e isso passa a configurar nelas a sensação de anulação do sentido da vida e o prazer em serem mães”, fala Danila.

Essa síndrome materna que, em geral, se desenvolve no puerpério, também pode ter efeitos nas crianças e na relação delas com a mãe, sobretudo pela falta de interesse e irritabilidade das mães em relação aos filhos.

E de acordo com o psiquiatra, esse prejuízo na relação afetiva do binômio mãe-filho pode afetar diretamente o desenvolvimento físico, mental e social da criança.

Por isso, é essencial diagnosticar a ocorrência desses sintomas e sinais de alerta para que seja providenciada ajuda especializada.

Após a constatação do problema, a paciente é orientada sobre a anormalidade em estar cansada ou irritada. Também é fundamental ampliar a rede de apoio formada por familiares e amigos, para que a mãe possa contar com quem for necessário, delegando funções, dividindo os cuidados e encontrando, portanto, espaço e tempo para dedicar a si mesma. “Exercícios físicos, alimentação e sono adequados, um hobby e até uma vida social mais ativa ajudam a organizar a rotina e aliviar essa fase”, completa Danila.

Vale ressaltar que é possível prevenir o surgimento de sintomas atribuídos à Síndrome de Burnout materno, desde o momento do planejamento da gravidez ou durante a gestação, por meio da consciência sobre as reais atividades maternas futuras.

Dessa maneira, a divisão de tarefas, delegação de problemas, a possibilidade de pedir ajuda as pessoas próximas ficará mais provável de acontecer, evitando o esgotamento em função da sobrecarga materno-infantil.

Participar de cursos de capacitação de atividades maternos, como dar banho, trocar fralda por exemplo, é fundamental nesse sentido também.

“É importante a prevenção, mas se acontecer, é fundamental buscar ajuda médica logo nos primeiros sinais dessa exaustão, evitando a evolução do problema”, alerta Cristina.

Curiosidade

A Síndrome de Burnout, na literatura médica, compõe um quadro de natureza ocupacional, relacionado à atividade profissional, com três características muito marcadas: esgotamento físico e mental, sensação de reduzida realização pessoal e transformação da personalidade com indiferença e menos empatia.

Esse diagnóstico passou a ser descrito a partir dos anos 1970, nos Estados Unidos. Já a correlação do Burnout profissional com o materno foi estudada nas últimas décadas pela psicóloga belga Moïra Mikolajczak, cuja pesquisa verificou alto nível de estresse, semelhante ao vivido no universo corporativo, entre mulheres e homens quando questionados sobre suas tarefas como mães e pais.

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