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Ballaio Orgânico: conheça a rede onde o alimento é produzido e consumido na própria São Paulo

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Bernadete faz de seus morangos a deliciosa geleia que compõe a sexta do Ballaio Orgânico - Pedro Stropasolas

Projeto dá luz a produção orgânica de pequenos agricultores de Parelheiros, no extremo sul da maior cidade do país

E quem disse que a cidade de São Paulo, um dos maiores centros urbanos do mundo, não produz alimentos orgânicos? 

No Recanto do Jakinha, um pedacinho de terra repleto de canteiros e espécies nativas, Maria Bernadete Alcebíades cultiva com amor e dedicação o ingrediente principal para sua geleia caseira, o morango. 

“A gente não usa agrotóxico, a gente não faz queimada, a gente não derruba árvores, a gente não estraga água, a gente aproveita todas as folhas que caem no chão como adubo”, aponta Bernadete. 

A agricultora é uma das parceiras do Ballaio Orgânico, projeto que une e amplifica o trabalho de produtores rurais da região de Parelheiros, berço da produção agrícola na maior cidade do país. 

As cestas com alimentos orgânicos, o carro chefe da iniciativa, tem base agroecológica em todas as etapas do processo e chegam semanalmente a mais de 70 famílias da cidade de São Paulo. Entre os itens, estão frutas, legumes, verduras, PANC´s, além de doces caseiros.

O idealizador, Vinícius Ramos, conta que o projeto surgiu para suprir a falta de logística entre o campo e a cidade.

“Aquilo que não tem aptidão aqui em São Paulo, como as frutas, uma manga, um abacaxi, a gente pega de fora e junta para dar diversidade. Hoje, a lista de distribuição tem mais ou menos 120 itens”, conta o permacultor.

Foi com o recurso da venda dos balaios que a educadora popular Luzia Souza da Silva conseguiu construir o galinheiro, hoje com capacidade para 300 animais. A alimentação das galinhas é feita com variedades orgânicas de milho crioulo cultivados ali mesmo, na sua propriedade. 

“Desde o princípio, a gente tem plantado os grãos orgânicos mesmo. Para a gente ter uma qualidade boa dos ovos. Porque a qualidade dos ovos vem daquilo que elas se alimentam”, explica a produtora.

“Quando a gente encontra a possibilidade de produzir nosso próprio alimento, e saber de onde vem, como ele é cultivado. E saber que você está contribuindo para a saúde das pessoas, isso para mim é uma das coisa fundamentais da vida. Para manter a vida”, completa.

Giovana Gonçalves Silva, que pretende se especializar no cultivo do tomate, ainda não oferece itens para as cestas, mas já tem uma estufa com uma boa diversidade de culturas. A estrutura foi construída com ajuda do projeto.

“Planta assim, faz assim.. É isso que eu aprendo mais, são dicas que eles me dão que acho que você aprende mais do que ficar horas e horas de cursos”, revela a produtora orgânica. 

Mas o cultivo de alimentos sem veneno em Parelheiros é anterior, lá do início dos anos 2000. Hoje, dos 300 agricultores do distrito, cerca de 90 deles produzem orgânicos. 

“A gente não faz agroecologia trocando insumos, a gente faz com as pessoas. Então, se a gente não discutir a questão das pessoas, o amor, o carinho, o respeito, não se faz agroecologia”, finaliza Vinícius.

Edição: Daniel Lamir

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