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Aplicativo colombiano de mototáxis funciona ilegalmente em São Paulo

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Gestão Covas afirma que o serviço é ‘clandestino’, e empresa diz que município não pode proibir.

​​Utilizado por mais de 200 mil usuários em seu país de origem, onde está metido em cabo-de-guerra com o governo local, o aplicativo de mototáxis colombiano Picap tem funcionado ilegalmente em São Paulo, cidade em que essa modalidade de transporte está proibida desde 2018.

As motocicletas têm ganhado destaque negativo nos debates sobre políticas viárias na capital paulista, com os seus condutores encabeçando as estatísticas de mortes no trânsito.

A disseminação de aplicativos de motofrete —como Rappi, Loggi, entre outros— têm sido vista com preocupação pela gestão Bruno Covas (PSDB), que tenta regular sua atuação na cidade ao se deparar com o recrudescimento do número de acidentes envolvendo motocicletas.

Disponível para download nas plataformas Google Play (Android) e App Store (Apple), o Picap tem interface similar à de aplicativos de transporte de carros como Uber.

Funcionando há um mês em São Paulo, o aplicativo conta ainda com número reduzido de motoristas em atividade.

Na maioria das vezes os motociclistas estavam concentrados nas regiões periféricas da cidade, especialmente nas zonas sul, leste e norte, e recusaram os chamados.

A reportagem solicitou então uma viagem entre o viaduto Jacareí, no centro de São Paulo, e o centro da cidade de Santo André, no ABC Paulista. A ideia foi a de solicitar uma corrida longa para convencer algum motociclista a aceitá-la.

Ao se encontrar com o motociclista, foi solicitada uma corrida mais curta, até o estádio do Pacaembu, passando por vias movimentadas, como as avenidas 23 de Maio e Paulista.

O repórter subiu na garupa e, posicionado entre o piloto e um baú de entregas, pôs o capacete, único artigo de segurança oferecido. O percurso foi feito em menos tempo do que seria com um carro.

Manuais de segurança no trânsito sugerem algumas medidas básicas para o passageiro que não foram oferecidas, tais como o uso de roupas de proteção (jaqueta, botas, luvas). Também é considerado prudente informar que o passageiro deve se sentar próximo do motociclista e não inclinar para o lado contrário em curvas para não desequilibrar o veículo, o que não foi feito.

Com o trânsito congestionado, o motorista e o repórter fizeram a maior parte do trajeto entre carros e caminhões, atrás de outras motocicletas. A velocidade foi mantida sempre abaixo dos 50 km/h. Para alguém inexperiente na garupa, cruzar filas de carros separado do asfalto apenas pela roupa do corpo gerou apreensão. 

Em suas redes virtuais, o Picap lista suas supostas vantagens: é o ‘superherói do tempo’ e gera economia de 30% do valor do serviço em comparação com outros aplicativos e 55% em relação aos táxis.
Os 5 km de percurso custaram R$ 12,50 —até Santo André, no ABC Paulista, 23 km, custaria pouco mais de R$ 30. 

Uma simulação do Uber em horário similar nesta segunda (15) para o percurso entre o viaduto Jacareí e o estádio resultou em taxa de R$ 14,69. Até Santo André, R$ 49,20.

Um dos autores da lei que proibiu o mototáxi na cidade, o vereador Adilson Amadeu (PTB) vê uma “tragédia anunciada”. A lei também é de autoria de Antonio Donato (PT).

“É uma bola de neve. Começa do nada e logo as pessoas começam a achar positivo ir mais rápido, o trânsito é devagar, e logo não haverá mais controle. E então quem paga a conta é o município quando o motociclista e o passageiro se acidentarem”, diz Amadeu, que afirma que acionará os órgãos competentes para impedir o funcionamento do Picap.

Fonte: Folha

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