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5% terminam ensino com aprendizado adequado em matemática – 29/11/2022 – Educação

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5% terminam ensino com aprendizado adequado em matemática - 29/11/2022 - Educação


O Brasil só consegue garantir que 5% dos estudantes terminem o ensino médio em escola pública com o aprendizado adequado em matemática.

Dos cerca de 2 milhões dos jovens que concluem essa etapa do ensino, mais de 1,9 milhão deles deixam a escola sem conseguir, por exemplo, resolver problemas de porcentagem ou usar o Teorema de Pitágoras.

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Os dados são de um estudo feito pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) com base nos resultados do Saeb de 2021 (Sistema de Avaliação da Educação Básica), principal termômetro da educação brasileira.

O estudo, obtido com exclusividade pela Folha, destaca que o Brasil apresenta uma dificuldade histórica com o ensino de matemática. Ainda que a pandemia de Covid e o fechamento de escolas tenham piorado o desempenho dos estudantes, antes os resultados também não eram satisfatórios. Em 2019, por exemplo, só 7% concluíram o ensino médio com aprendizado adequado nessa matéria.

Também chama a atenção o fato de que não há nenhuma unidade da Federação que se destaque no indicador. O Espírito Santo atinge o percentual mais alto do país, com apenas 11,2% de alunos com aprendizado adequado. Em quatro estados, o índice não alcança nem 2% dos estudantes.

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As redes estaduais de ensino são as principais responsáveis pelas matrículas no ensino médio no país. A cada 10 alunos nessa etapa, 8 estão matriculados em escolas ligadas às secretarias estaduais de educação.

“Mesmo antes da pandemia, o ensino de matemática no Brasil não era efetivo. O fechamento das escolas piorou uma situação que já era muito ruim. Precisamos que haja um olhar urgente para essa tragédia que está acontecendo no país”, diz Ernesto Faria, diretor-executivo do Iede.

Em língua portuguesa, o país também não registra uma média satisfatória, mas, ainda assim, fica muito acima do que é observado em matemática. Em português, 31,3% dos alunos saem da escola pública com aprendizado adequado.

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“O ensino vai muito mal de uma maneira geral no país, mas em matemática os dados são ainda mais preocupantes. Só ter 5% aprendendo o adequado significa que a política e a estratégia de ensino estão erradas”, afirma Faria.

O baixo desempenho em matemática no país começa já nos anos iniciais do ensino fundamental (do 1º ao 5º ano), com apenas 36,7% dos estudantes da rede pública alcançando o nível adequado em 2021 —uma queda acentuada em relação ao pré-pandemia, já que esse índice era de 47% em 2019.

Na etapa seguinte, dos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano), o índice dos que aprenderam o adequado cai para 15,3% em 2021 —dois anos antes era de 18%.

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Katia Smole, doutora em educação na área de ensino de ciências e matemática, diz que a maioria dos países do mundo enfrenta mais dificuldade em garantir o aprendizado adequado em matemática do que na língua materna. No entanto, acrescenta ela, a situação do Brasil é extremamente preocupante.

“Poucos países, só alguns asiáticos, conseguem ter desempenho similar nessas duas áreas. O restante do mundo costuma registrar desempenhos piores em matemática. Mas no Brasil os dados são acachapantes”, diz Smole, ex-secretária de educação básica do Ministério da Educação.

Para ela, um dos motivos para a maior dificuldade do ensino de matemática é a familiarização inicial das crianças. “A língua está muito mais presente que os números na nossa formação. A língua é aprendida primeiro em sua forma oral e ocorre de forma muito mais intensa.”

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É exatamente pela menor exposição da criança com a matemática que a escola precisa nos primeiros anos da educação infantil garantir um aprendizado adequado, o que não tem ocorrido no país.

Faria avalia que uma das explicações para o baixo desempenho já nos primeiros anos da trajetória escolar é a formação dos professores que atuam com as crianças nessa etapa. Em geral, são docentes formados em pedagogia.

“São profissionais não muito afeitos ao ensino de exatas e que não receberam a formação adequada na graduação para ensinar essa disciplina. A partir daí, temos essa sequência extremamente nociva, os alunos não aprendem nos anos iniciais e essa dificuldade vai se arrastando e agravando”, diz ele.

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Smole explica que a matemática é um dos componentes escolares em que mais pesa a necessidade de conhecimentos prévios. Por exemplo, um aluno que não domina a base para realizar as quatro operações básicas (soma, subtração, divisão e multiplicação) não vai conseguir aprender álgebra ou probabilidade.

“Para avançar, o aluno precisa ter os conhecimentos iniciais muito bem consolidados. No Brasil, a gente só garante essa base para um terço dos alunos. É claro que esse índice vai diminuir ao longo da trajetória escolar.”

Ela também defende que o ensino de matemática precisa engajar mais os alunos, uma vez que, a seu ver, a forma como a disciplina é ensinada se distancia dos interesses das crianças e jovens.

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